Por Jow Oliveira Diretor de Comunicação SSPMI | A divulgação do mais recente ranqueamento dos Municípios de Interesse Turístico (MITs) pelo Governo do Estado de São Paulo trouxe mais do que uma simples classificação numérica; entregou um diagnóstico preciso sobre a maturidade do turismo no interior paulista. Neste cenário altamente competitivo, Itapira garantiu a 26ª posição entre 136 cidades, um desempenho que coloca o município no quartil superior do estado, mas que, sob uma análise técnica mais apurada, revela a urgência de uma governança colaborativa entre o poder público e a iniciativa privada.

O Ranking como Bússola Estratégica
Diferente de concursos de beleza ou popularidade, o ranqueamento técnico — regido pela Resolução ST nº 06/2024 — funciona como uma auditoria da capacidade turística. A 26ª colocação de Itapira reflete um trabalho consistente de "lição de casa" institucional. A manutenção regular do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR) e a atualização do Plano Diretor de Turismo (PDT) foram fundamentais para sustentar essa posição.
Contudo, o relatório estadual serve como um alerta sofisticado: a burocracia pública, por si só, tem um teto de impacto. Para que Itapira salte de um MIT consolidado para uma futura Estância Turística — categoria de elite que hoje abriga 78 cidades e garante acesso a verbas mais robustas do DADETUR —, a engrenagem econômica precisa girar com mais força.

O Gargalo da Formalização
A análise detalhada dos critérios de pontuação expõe um desafio nevrálgico: a formalização do setor privado. Enquanto a Prefeitura entregou a infraestrutura institucional e o apoio a eventos âncora — como a tradicional Festa de Maio e o emergente Itapira Parque Rock —, a pontuação do município sofre quando o assunto é o Cadastur.
O cadastro oficial do Ministério do Turismo não é apenas uma exigência burocrática; é o indicador que o Estado usa para medir a "saúde" do mercado. Hotéis, restaurantes, agências e guias que operam na informalidade ou fora deste cadastro tornam-se invisíveis aos olhos do algoritmo estadual, puxando a nota da cidade para baixo, independentemente da qualidade real do serviço prestado.
Ativos Locais e a Nova Fronteira do Turismo

O ranqueamento validou a aposta de Itapira em nichos específicos. O turismo rural e de aventura, alicerçado na Rota 32 e nas trilhas que cortam nossa geografia, mostra-se como um diferencial competitivo vital. A presença de produtos artesanais de alta qualidade — queijos, vinhos e cachaças locais — e a participação de nossos artesãos no Revelando SP são ativos que pontuam positivamente na matriz de avaliação.
O Próximo Passo: Governança Integrada
A reação da Secretaria de Cultura e Turismo ao resultado demonstra maturidade. O anúncio de um Plano de Ação conjunto com o COMTUR indica que a gestão compreendeu que o turismo não se faz por decreto. A ascensão de oito novos municípios à categoria de Estância neste ciclo (incluindo cidades próximas como Tatuí e Botucatu) prova que a mobilidade no ranking é real e possível.
Para Itapira, a 26ª posição é um excelente ponto de partida, mas um perigoso ponto de acomodação. O salto qualitativo exigirá que o empresário local se veja como parte da política pública e que o servidor e o gestor público continuem a pavimentar o caminho com infraestrutura e inteligência estratégica.
O turismo deixou de ser uma aposta de lazer para se tornar uma política econômica de estado. Itapira está no mapa, mas a escalada até o topo exigirá, mais do que obras, uma mudança de cultura empreendedora.
