Por Jow Oliveira – Diretor de Comunicação SSPMI | São Paulo, 9 de setembro de 2025 – Um marco na luta por igualdade e dignidade no serviço público, o I Encontro das Mulheres Servidoras, promovido pela Secretaria Nacional do Setor Público da Força Sindical em parceria com a Diretoria de Assuntos da Mulher da CSPB, agitou a sede da Força Sindical nesta terça-feira matinê. A iniciativa foi apoiada também pela Secretaria Nacional de Política para Mulher e Gênero da Força Sindical.
Um chamado à mobilização coletiva
O evento não foi apenas mais uma palestra: foi um chamado vibrante à ação. Com quatro painéis cuidadosamente articulados, as servidoras debateram o enfrentamento à violência de gênero no trabalho e na sociedade, além de políticas públicas, valorização salarial e o fortalecimento da participação feminina nas estruturas sindicais .
Cristina Helena, secretária nacional do Secretariado dos Servidores Públicos da Força Sindical, acertou o alvo ao afirmar que “as servidoras demonstraram que juntas podemos avançar na construção de políticas públicas que assegurem respeito e dignidade” .
Números que não aceitam escuta seletiva
E o choque de realidade não ficou apenas no discurso: Cristina Helena expôs dados alarmantes — entre 2020 e dezembro de 2024, o feminicídio no Brasil aumentou 225%, sem contar quase dois milhões de processos da Lei Maria da Penha ainda parados . Não dá para ouvir e fingir que está tudo bem.
Discurso afiado e sem concessões
Laura Santos, da Força Sindical SP, foi enfática: encontros como este devem brotar em todos os cantos — nas bases, escolas, locais de trabalho — até virar cultura e não exceção. “Precisamos multiplicar essas experiências… unidos, homens e mulheres, construiremos uma sociedade em que o respeito e a igualdade não sejam apenas discursos”, afirmou .
Geraldino dos Santos Silva, secretário de Relações Sindicais, reforçou a causa com objetividade: “violência de gênero é pauta social, exige mobilização da classe trabalhadora inteira. Transformar indignação em ação, denúncia em política pública, união em conquistas concretas” .
Mulheres no poder: sem enfeite, com exigência
Carlos Augusto (Carlão), secretário-geral da Força Sindical SP, trouxe um recado claro — apoio masculino é bem-vindo, mas a transformação real depende da presença feminina nos espaços de decisão: “Só vamos mudar quando as mulheres ocuparem a vida pública de verdade… hoje elas são maioria e precisam assumir esse objetivo” .
Katita, diretora de Assuntos da Mulher da CSPB, não se conteve na emoção: “Mulheres precisam estar unidas para avançar. Juntas, somos mais fortes.” E lembrou que a luta vai além das servidoras — abrange as metalúrgicas, costureiras, químicas, têxteis: todas envolvidas contra o machismo arraigado até no sindicalismo .
Quem mais ocupa o microfone?
Maria Auxiliadora destacou as dimensões femininas mais vulneráveis — negras, pobres, trabalhadoras invisibilizadas — e questionou a real aplicação das leis como a da Igualdade Salarial. “Disse ao presidente Lula que ela não pode ser mais uma lei que ‘pega e não pega’. Ele me respondeu que ‘essa tem que pegar’” .
Sem papas na língua, lembrou ainda que servidoras públicas sequer têm direito à negociação coletiva, algo do primeiro mundo que o setor privado já pratica. “É urgente assegurar esse direito para que não aceitem migalhas impostas,” clamou .
Encerrando com potência, Auxiliadora deixou claro: este não pode ser o único — “precisamos de muitos outros, com mais mulheres participando… porque só a participação faz a transformação. Sem ela, nada muda” .
Por que importa?
Este encontro não foi um simples evento. Foi o acendimento de uma chama — clara, urgente e coletiva. Serve como prova de que mobilização, resistência e união são o melhor antídoto contra a barbárie que insiste em crescer.
É nosso dever sindical garantir que aquilo que foi plantado aqui — coragem, crítica, ação — floreça em políticas, leis cumpridas e, acima de tudo, respeito replicado. E que outros encontros surjam para manter o fogo aceso.
