Por Jow Oliveira Diretor de Comunicação SSPMI | Um conjunto recente de levantamentos nacionais reacende o alerta sobre a violência de gênero no país. Dados do DataSenado revelam que, somente em 2025, aproximadamente 3,7 milhões de brasileiras foram vítimas de algum tipo de violência doméstica ou familiar — um volume ainda alarmante, mesmo diante de uma ligeira redução em relação a anos anteriores. O dado expõe uma ferida aberta na sociedade brasileira: a violência que se infiltra nos lares, compromete a saúde mental das vítimas e provoca traumas coletivos, sobretudo quando há crianças presenciando as agressões.
Outro estudo amplo, conduzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha, mostra que 21,4 milhões de mulheres com mais de 16 anos sofreram algum tipo de agressão em 2024 — o equivalente a 37,5% da população feminina adulta do país. As formas de violência registradas são múltiplas:
Ofensas verbais e humilhações atingiram 31,4% das entrevistadas.
Agressões físicas — tapas, empurrões, socos ou chutes — foram vividas por 16,9%.
Perseguições e intimidações (stalking) afetaram 16,1%.
Violência sexual ou coerção sexual foi relatada por 10,7%.
Os dados mais sensíveis, porém, revelam que em cerca de 70% dos casos o agressor é o parceiro ou ex-parceiro, o que aprofunda a dificuldade da vítima em romper o ciclo de violência. A casa, que deveria representar abrigo e estabilidade, converte-se em ambiente de medo, constrangimento e silêncio forçado.
Apesar da gravidade, quase metade das vítimas não busca ajuda formal. Muitas recorrem primeiro a familiares, conhecidos ou redes informais, o que demonstra a fragilidade do sistema de proteção público e a sensação de desamparo que persiste entre mulheres que vivem sob ameaça.
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Canais de proteção e emergência para mulheres em Itapira (SP)
Em situações de violência, a resposta rápida é decisiva. Em Itapira, dois números devem ser acionados imediatamente:
190 — Polícia Militar
Serviço de emergência para ocorrências críticas, agressões em andamento, ameaças graves ou descumprimento de medidas protetivas. É o canal mais rápido para intervenções urgentes.
153 — Guarda Civil Municipal de Itapira
Atendimento direto da GCM, com atuação preventiva e resposta imediata. A Guarda é peça central na proteção comunitária e pode intervir em situações de violência doméstica, aproximação indevida do agressor ou risco iminente.
Além desses serviços locais, há também o canal nacional:
180 — Central de Atendimento à Mulher
Atendimento 24 horas, sigiloso e gratuito, orientando sobre denúncias, direitos, medidas protetivas e acolhimento.
Mulheres em situação de risco podem ainda buscar:
Delegacia de Polícia;
CRAS e CREAS do município;
Serviços de assistência social;
Redes comunitárias de apoio, movimentos de mulheres e organizações civis.
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Uma luta que exige Estado, sociedade e coragem individual
A violência doméstica continua sendo uma das formas mais brutais de desigualdade de gênero no Brasil. É um problema estrutural, que exige políticas públicas permanentes, investimentos sérios em prevenção e acolhimento, além de uma rede de proteção fortalecida e acessível.
Para cada mulher que rompe o silêncio, muitas ainda permanecem enclausuradas no medo — e é papel da sociedade garantir que nenhuma delas esteja sozinha. Em Itapira, como no restante do país, a denúncia pode ser difícil, mas é também o início do caminho para a proteção e para a reconstrução da vida.
> A violência não é destino. A denúncia é um ato de coragem e um direito.
190, 153 e 180 salvam vidas.
