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A Cultura de Itapira é coisa de preto: escola do legislativo promove reflexão profunda sobre identidade e resistência

Por Jow Oliveira- Diretor de Comunicação SSPMI | Na próxima sexta-feira, 14 de novembro, às 18h, a Escola do Legislativo da Câmara Municipal de Itapira abrirá suas portas para um encontro de grande relevância social e cultural. O evento, que leva o título “A cultura em Itapira é coisa de preto”, propõe um mergulho sensível e necessário nas raízes negras que compõem a história e a identidade do município.

A programação reunirá movimentos, organizações e personalidades que atuam em defesa da igualdade racial e da valorização da cultura afro-brasileira, entre eles Andrey Costa, Carlos Nelson, Daniel Mota, Giovana Polizel, Hellen Santos, João Fray, Luciana de Menezes, Luciana Sassi, Maria Elvira Lopes e Rosa Tavares. Cada fala deve somar vozes plurais que, juntas, reafirmam a força do povo preto na construção da Itapira que conhecemos.

Um dos idealizadores e responsável pela Escola do Legislativo neste ano, o vereador e professor Leandro Henrique Sartori (PSOL) concedeu uma entrevista exclusiva, na qual abordou temas centrais sobre consciência racial, cultura e o papel do poder público na superação do racismo estrutural.

“A Consciência Negra é um ato político”

Questionado sobre o significado da Consciência Negra para Itapira, Sartori foi direto:

> “A Consciência Negra é um momento de reflexão e reafirmação. Em Itapira, com uma história marcante de escravidão e também de resistência, ela representa o reconhecimento de que a cidade tem raízes pretas profundas — desde as tradições populares, o trabalho e a cultura do nosso povo. Em tempos de retrocessos, celebrar a Consciência Negra é também um ato político.”

Cultura preta como patrimônio vivo

Sobre o papel da palestra “A cultura de Itapira é coisa de preto”, o parlamentar destacou o valor de criar espaços institucionais de diálogo:

> “Essas iniciativas ultrapassam o campo simbólico e podem gerar mudanças concretas. Falar que ‘a cultura de Itapira é coisa de preto’ é afirmar o óbvio que, durante muito tempo, foi negado. A partir desses encontros, surgem cobranças por políticas públicas e ações que valorizem as expressões culturais negras como patrimônio vivo da cidade. É assim que o debate vira mudança.”

Cultura como ferramenta de inclusão

Ao ser questionado sobre os projetos de seu mandato, Sartori relembrou conquistas importantes:

> “Temos trabalhado para que a cultura seja uma ferramenta de inclusão e consciência. Projetos como o reconhecimento da Congada Mineira como patrimônio cultural, o Dia Municipal da Cultura de Periferia e o apoio a eventos de educação antirracista e de valorização da juventude negra têm sido prioridades. Essas iniciativas têm repercutido positivamente nas escolas, comunidades e coletivos culturais. O poder público pode — e deve — ser aliado na luta contra o racismo e pela preservação da nossa memória.”

Identidade, fé e ancestralidade

Entre os marcos do mandato, Sartori destacou o impacto simbólico e social de reconhecer a Congada Mineira como patrimônio cultural de Itapira:

> “Esse reconhecimento é mais que uma homenagem — é um resgate de uma identidade que moldou Itapira. A Congada é fé, é arte, é ancestralidade. Já o Dia da Cultura de Periferia dá visibilidade aos artistas e coletivos que produzem cultura nas bordas, muitas vezes sem apoio. Aprovamos também a Lei Vini Jr. contra o racismo no esporte, e seguimos lutando por sua efetividade.”

Resistências e desafios

Encerrando a entrevista, o vereador falou sobre os desafios ainda presentes na valorização da cultura negra e periférica:

> “O maior desafio ainda é o racismo estrutural — ele se manifesta quando a cultura preta é vista como algo ‘à parte’, quando falta investimento ou quando se despreza o protagonismo negro. Nosso mandato continuará lutando para garantir que o povo preto e periférico tenha espaço nos editais culturais, nas políticas públicas e nas decisões da cidade. A cultura é poder, e o poder precisa ser compartilhado.”

Reflexão final

O evento da Escola do Legislativo não é apenas uma celebração cultural, mas uma convocação à consciência coletiva. A frase que dá nome à palestra — “A cultura de Itapira é coisa de preto” — sintetiza uma verdade histórica que por muito tempo foi silenciada, mas que agora ecoa com vigor nos espaços institucionais e populares.

Reconhecer a presença e o legado do povo preto em Itapira é reconhecer a própria cidade. É compreender que não há futuro democrático sem memória, e que a cultura é um campo de disputa — e de esperança.

Parabeniza-se, portanto, o vereador professor Leandro Henrique Sartori pela iniciativa e pela coragem de pautar o debate racial no centro do poder público, abrindo caminhos para que as vozes negras de Itapira sejam ouvidas, valorizadas e eternizadas na história local.

Porque sim — a cultura de Itapira é, e sempre será, coisa de preto.